
A permanência da língua portuguesa em Timor Leste "pode estar em causa em cinco ou dez anos se não houver um investimento no ensino", disse à Agência Lusa o ministro timorense da Educação, João Câncio.
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"Queremos trazer mais professores. O ensino secundário está em causa em termos da língua porque os professores não falam (português)", disse Câncio.
Apesar disso, o ministro afirmou que o atual governo “não tem nenhuma intenção de mudar a identidade". "Nos últimos cinco anos, contamos apenas com o apoio da cooperação de Portugal e do Brasil, mas isso não chega", disse o ministro, que participou de um debate parlamentar sobre o Programa de Governo."Temos que investir nós também e vamos investir", afirmou, referindo-se à preocupação do Programa de Governo em relação ao ensino.
O documento, aprovado sábado no Parlamento, contém um artigo que propõe "o reequacionamento da problemática da língua oficial de ensino e do ensino de outras línguas, incluindo as línguas nacionais, o inglês ou o indonésio, como línguas de trabalho".
Câncio disse que o artigo não vai permitir que a língua portuguesa deixe de ser uma das duas línguas oficiais do Timor Leste. O "reequacionamento" pretende a introdução "já agendada" do tétum como língua de ensino nos primeiros dois anos escolares, "não apenas como língua auxiliar", e a passagem do português para língua estrangeira a partir do terceiro ano.
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O plano corresponde à necessidade de "introduzir o português aos poucos, como matéria, para não dar aquele susto", explicou o ministro. "Quando chegar ao terceiro ano, o português já vai como língua de instrução".João Câncio disse que existem "estudos" comprovando uma alta taxa de repetência nos primeiros anos escolares porque a língua portuguesa foi introduzida padrão. "O português é uma língua oficial, mas não é uma língua falada em casa nas famílias".
"A sociedade timorense não fala português. Chega-se ao primeiro ano escolar e põe-se logo o português, uma língua estrangeira. Não faz sentido", afirmou."Ninguém fala português" no primeiro ano, segundo o ministro. "Não pode falar. Mesmo em seis meses ou um ano, não fala", disse João Câncio.
Por outro lado, o governo quer "o tétum mais virado ao português do que o que hoje é falado nas ruas, que é mais virado ao (bahasa) indonésio"..
Lusa Brasil, 18.09.2007
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